Mudança estrutural no consumo de informação redefine canais de comunicação com o consumidor
Pela primeira vez, redes sociais e plataformas de vídeo superaram a televisão como principal fonte de notícias no mundo. A constatação vem de pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, realizada pela YouGov com cerca de 100 mil pessoas em 48 países.
O levantamento mostra que 54% dos entrevistados usam redes sociais ou plataformas de vídeo para se informar, contra 52% que recorrem à televisão e 51% que acessam sites e aplicativos de notícias. O rádio aparece com 21%. Quando ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT entram na conta, o número sobe para 56%.
Impacto direto nas estratégias de comunicação do varejo
Para o varejo, essa inversão não representa apenas uma mudança no comportamento do consumidor — ela exige revisão completa nas estratégias de comunicação, mídia e relacionamento. Se o público está migrando para plataformas digitais, campanhas publicitárias, lançamentos de produto e ações promocionais precisam seguir o mesmo caminho.
A televisão, historicamente o principal canal de massa para o varejo, perde força relativa justamente quando redes como Instagram, TikTok e YouTube consolidam-se como espaços de descoberta, comparação e decisão de compra. O dado sinaliza que investimentos em mídia tradicional tendem a perder eficiência se não forem acompanhados de presença robusta nas plataformas digitais.
Mais relevante ainda: o comportamento varia conforme a faixa etária. Entre jovens de 18 a 24 anos, mais da metade já usa redes sociais como principal fonte de informação. Entre pessoas de 45 a 54 anos e acima dos 55, a televisão ainda lidera. Isso significa que varejistas com público amplo precisam operar em múltiplas frentes simultaneamente, ajustando linguagem, formato e canal conforme o perfil do consumidor.
Fragmentação do consumo exige presença multiplataforma
O estudo também revela diferenças no uso das plataformas. YouTube e X são acessados de forma mais direta, quando o objetivo é acompanhar notícias. Já Facebook, Instagram e TikTok funcionam como “contexto”, com informações surgindo no meio do uso cotidiano. Para o varejo, isso significa que conteúdo precisa ser adaptado não apenas ao formato, mas ao comportamento de consumo de cada rede.
Em nenhuma faixa etária os sites e aplicativos de veículos tradicionais aparecem como principal fonte de informação. A constatação reforça que o consumidor não busca mais notícias apenas em portais — ele as encontra onde já está, em fluxo contínuo, dentro das plataformas que usa diariamente.
Confiança em baixa e ascensão da inteligência artificial
O relatório aponta que a confiança na mídia atingiu o menor nível já registrado: apenas 37% das pessoas dizem confiar na maioria das informações na maior parte do tempo. Para marcas e varejistas, isso representa um alerta. Se o consumidor desconfia da informação que recebe, ele tende a buscar validação em múltiplas fontes, incluindo avaliações de outros usuários, influenciadores e ferramentas de inteligência artificial.
Cerca de 10% dos entrevistados já recorrem semanalmente a ferramentas como o ChatGPT para se informar, acima dos 7% do ano anterior. Esse movimento abre uma nova frente: consumidores que usam IA para pesquisar produtos, comparar preços e tirar dúvidas sobre compras. Varejistas que não estiverem preparados para interagir nesses ambientes podem perder relevância rapidamente.
O que o varejo deve observar
A migração do consumo de notícias para redes sociais não é um fenômeno isolado. Ela reflete uma mudança mais ampla na forma como as pessoas se relacionam com informação, marcas e decisões de compra. O varejo precisa acompanhar esse movimento em três frentes:
Presença ativa nas plataformas certas, com conteúdo relevante e adaptado ao comportamento de cada rede. Investimento em creators e influenciadores, que ocupam o espaço de intermediação entre marca e consumidor. Preparação para interação com inteligência artificial, que começa a mediar o acesso à informação e pode, em breve, mediar também decisões de compra.
O modelo tradicional de comunicação — baseado em grandes campanhas de TV e mídia impressa — não desaparece, mas perde centralidade. O desafio agora é operar de forma fragmentada, multiplataforma e em tempo real, mantendo coerência de marca e eficiência de investimento.
Fonte: Olhar Digital